A pleurodese é um procedimento utilizado no tratamento de derrame pleural recidivante, particularmente quando a acumulação de líquido no espaço pleural provoca sintomas persistentes como dispneia ou desconforto torácico. Nestes casos, a drenagem simples do líquido pode não ser suficiente, sendo necessário um tratamento que impeça a sua nova acumulação.
O objetivo da pleurodese é promover a aderência entre a pleura visceral e a pleura parietal, eliminando o espaço pleural e prevenindo assim a recorrência do derrame pleural. Este efeito é geralmente obtido através da administração de um agente esclerosante — mais frequentemente talco estéril — após drenagem adequada do líquido pleural e confirmação da reexpansão pulmonar.
A pleurodese é frequentemente utilizada em situações como derrame pleural maligno ou outros derrames pleurais recorrentes, sendo considerada uma das estratégias terapêuticas mais eficazes para controlo sintomático e melhoria da qualidade de vida dos doentes.
Nesta página apresenta-se um protocolo clínico de pleurodese, estruturado de forma prática e sequencial para aplicação em contexto clínico. O protocolo descrito foi adaptado com base na evidência científica disponível sobre pleurodese química com talco e na literatura publicada sobre o tratamento do derrame pleural recorrente.
Em particular, a organização e os princípios deste protocolo baseiam-se na evidência descrita no artigo de Bhatnagar e Maskell, que aborda as diferentes estratégias terapêuticas para controlo do derrame pleural maligno, incluindo a pleurodese com talco.
Bhatnagar R, Maskell N. Indwelling pleural catheters and talc pleurodesis for malignant pleural effusion. New England Journal of Medicine. 2017;377:1897-1907.
Pleurodese química em doentes com derrame pleural maligno sintomático candidatos a drenagem pleural e sem contraindicação para o procedimento.
Critérios:
· Derrame pleural maligno confirmado ou altamente suspeito
· Performance status adequado para procedimento
· Expansão pulmonar adequada após drenagem inicial
· Sala de técnicas.
1. Explicar o procedimento ao doente.
2. Obter consentimento informado escrito.
3. Posicionar o doente adequadamente.
4. Realizar ecografia torácica para identificação do local seguro.
5. Preparar sistema de drenagem e material.
6. Preparação asséptica da pele.
7. Infiltração de anestesia local até pleura.
8. Inserção de dreno torácico 10–14F pela técnica de Seldinger.
9. Fixar o dreno à pele.
10. Conectar ao sistema de drenagem com selo de água.
11. Registar o procedimento no processo clínico.
12. Pedir Rx torácico para confirmar posição do dreno.
· Permitir drenagem controlada do derrame.
Interromper drenagem se ocorrer:
· drenagem ≥1000 mL
· desconforto significativo do doente
· 1 hora após inserção do dreno
Após interrupção:
· manter dreno fechado ≥1 hora antes de nova drenagem.
Registo de volume:
· registo pelo menos a cada 8 horas.
A pleurodese é realizada quando:
· pulmão apresenta expansão adequada
· não existe opacificação pleural significativa residual no Rx.
Se expansão incompleta:
· pode ser iniciada aspiração pleural até obter ≥50% de aposição pleural antes da instilação.
Com técnica asséptica.
· Analgesia prévia (ex.: morfina oral 10 mg).
Posicionar o doente confortavelmente.
2. Expor a válvula de três vias do dreno.
3. Desinfetar a porta de acesso.
4. Instilar 10 mL de NaCl 0,9% para verificar permeabilidade do dreno.
5. Instilar lidocaína 1% – 3 mg/kg (máx. 250 mg) no espaço pleural.
6. Clampe o dreno por 10 minutos.
7. Preparar slurry:
o 4 g talco estéril
o 50 mL NaCl 0,9%
8. Instilar o talc slurry pelo dreno.
9. Fazer flush com 20 mL NaCl 0,9%.
10. Clamp do dreno por 2 horas.
1. Abrir o dreno após 2 horas.
2. Conectar a aspiração torácica −10 a −20 cmH₂O.
3. Manter aspiração ≥24 horas.
4. Prescrever analgesia adequada.
Monitorização clínica:
· Observações cada 15 min durante 1 h
· Depois cada hora durante 3 h
· Depois vigilância habitual.
Exames:
· Rx torácico entre 18–24 h após instilação.
O dreno pode ser removido quando:
· permanência mínima 24 horas após pleurodese
· débito <250 mL nas últimas 24 h
Antes da alta:
· realizar Rx torácico PA.